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NOVEMBRO DEZEMBRO 2021

ENTREVISTA

Pacto Global da ONU é maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo

inpEV é signatário por defender e colocar em prática valores alinhados aos princípios do Pacto

CARLO PEREIRA, DIRETOR-EXECUTIVO DA REDE BRASIL DO PACTO GLOBAL

Na rotina de suas operações, o inpEV coloca em prática iniciativas coerentes com seu compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esse alinhamento permitiu que o Instituto fosse aceito como signatário da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. O Pacto é um compromisso voluntário do setor privado em favor de uma agenda decisiva para a o enfrentamento dos desafios da sociedade mundial. Nesta entrevista, Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, destaca o crescimento do número de empresas brasileiras que introduziram o ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança) como estratégia em suas operações, mas alerta que é urgente conseguir o engajamento de todos (governos, empresas, sociedade civil e demais stakeholders) para atingir os ODS.

 

 

 

Como é a atuação da Rede Brasil do Pacto Global?

Lançado em 2000 pelo então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o Pacto Global é uma chamada para as empresas alinharem suas estratégias e operações a 10 princípios universais nas áreas de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção e desenvolverem ações que contribuam para o enfrentamento dos desafios da sociedade. É hoje a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, com mais de 18 mil membros, entre empresas e organizações, distribuídas em 70 redes locais, que abrangem 160 países. A Rede Brasil do Pacto Global é a terceira maior do mundo, com mais de 1,3mil signatários, e a que mais cresce. Atualmente, o Pacto Global tem diversas iniciativas em temas como clima, direitos humanos e trabalho e anticorrupção. São iniciativas como o Ambição pelos ODS, que convidam as empresas a criarem metas ambiciosas para contribuir de fato com a Agenda 2030. Há 7 plataformas de ações atualmente: Ação pelos ODS, Ação pela Água, Ação pelo Agro Sustentável, Ação pelo Clima, Ação pelos Direitos Humanos, Ação contra a Corrupção e Ação para Comunicar e Engajar. E além de engajar, é preciso monitorar todos esses compromissos. Por isso, em 2021, o Pacto também lançou o Observatório 2030, que justamente faz esse trabalho.

 

Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global

Iniciativas como o Pacto Global ajudam as empresas a terem ferramentas para se engajarem de fato na agenda da sustentabilidade, que atualmente é mandatória

Carlo Pereira

O que significa para uma empresa ser signatária da Rede Brasil do Pacto Global?

A gente tem observado um movimento bem importante de engajamento das empresas brasileiras dentro da Agenda 2030, preocupadas de fato com o impacto que elas produzem no planeta e nas pessoas. Sustentabilidade é um tema maduro e consolidado entre muita gente, porque já se percebeu que é o que o consumidor exige. E mesmo se não for uma empresa que vende diretamente para o consumidor final, a cadeia de valor cada vez mais está no radar dele. Então, todo mundo precisa se mexer. Na Rede Brasil do Pacto Global, percebemos essa aceleração com dados bem objetivos. No ano passado, fomos a rede local que mais cresceu São cerca de 600 novos signatários nesses anos de pandemia, o que mostra quanto o setor privado brasileiro tem se preocupado com essa agenda.

O que significa o reconhecimento do Programa de Educação Ambiental (PEA) Campo Limpo como case de sucesso pelo UN DESA (United Nations Department of Economics and Social Affairs/Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais)?

O UN DESA reconhece projetos ao redor do mundo, que contribuem efetivamente para o atingimento dos ODS. Isso é fundamental para que outras instituições possam se espelhar para dar escala e alcançarmos o mundo que queremos. Não podemos deixar ninguém para trás e precisamos de todo o engajamento dentro dessa agenda.

 

 

Como vê o atual cenário do ESG no Brasil e a contribuição do Pacto Global?

A sociedade mudou. A economia mudou. Hoje cada vez mais os stakeholders conhecem e assumem os seus papeis na sociedade. Dentro desse movimento, temos a Agenda 2030 da ONU, que definiu os ODS. É claro que o resultado financeiro ainda está no centro, mas o impacto da empresa tem ganhado cada vez mais os holofotes. É mandatório mudar para realmente termos um planeta melhor, em um momento crítico como o que estamos vivendo, com alguns especialistas mostrando o quanto a ação do homem está contribuindo decisivamente para as mudanças climáticas. Isso afeta todo o planeta e todas e todos temos as nossas responsabilidades. As empresas precisam se mexer já que são geradoras de muita riqueza. Seus líderes cada vez mais têm a confiança das pessoas, mais até do que governos. Então, precisam assumir o ônus. Entender o impacto que elas produzem no planeta e que precisa ser minimizado. É preciso ter meta de carbono zero, de trabalho digno, de diversidade, sobretudo em cargos de liderança, transparência, gestão de resíduos. Iniciativas como o Pacto Global ajudam as empresas a terem ferramentas para se engajarem de fato na agenda da sustentabilidade, que atualmente é mandatória.

É importante perceber o investidor cada vez mais preocupado em ‘como a empresa faz’, mais do que com “o que a empresa faz”. O consumidor também. Esse movimento dos investidores começou na Europa e nos Estados Unidos há algum tempo e já chegou com força ao Brasil. É por isso que estamos a cada dia ouvindo falar mais de ESG, que é como o mercado financeiro vê a sustentabilidade corporativa. Mesmo quem já tinha começado, agora precisou acelerar. Então, vamos ver os pequenos e médios investidores cada vez mais preocupados com os parâmetros ESG, movimento que os maiores fundos já estão fazendo. O Brasil ainda não está no mesmo nível, mas acho que vamos chegar lá em um futuro próximo.

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